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Romans 8:18

Comentário sobre Romanos 8:18

For I reckon that the sufferings of this present time are not worthy [to be compared] with the coming glory to be revealed to us.

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A balança entre sofrimento e glória

Romans 8:18 abre a grande seção em que Paulo levanta os olhos do conflito interno do cristão (versículos 1‑17) para a glória futura, declarando que tudo o que sofremos agora é leve diante daquilo que será revelado. O versículo é um cálculo deliberado feito por um homem que sofreu mais que a maioria e, ainda assim, declarou que a balança pendia esmagadoramente para o lado da glória.

"Eu reputo" — uma conta feita por experiência

Paulo não fala como teórico. Ele "calcula" a partir de uma vida marcada por correntes e prisões, e mesmo assim escolhe a glória como mais real que o presente.

"Pois eu reputo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada." Quem jamais foi mais capaz de calcular isso do que Paulo? Correntes e prisões o esperavam em cada cidade — uma vida de sofrimento constante com Aquele a quem ele tanto amava servir; ainda assim ele diz: "as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada." Que solução para o paradoxo perplexo de toda a criação! Os gemidos dos campos de batalha vão cessar; a miséria, a pobreza e a degradação da multidão; os sofrimentos da criação vão chegar ao fim.

C. Stanley

A glória já presente à alma

Outro irmão observa como a expressão "deste tempo presente" mostra que, para Paulo, a glória dominava a mente de tal forma que o sofrimento perdia o seu peso de impedimento.

As palavras "deste tempo presente" são marcantes. Sua mente está cheia do futuro — absorta com o amanhã — como o menino na escola esperando o feriado, que não consegue pensar em outra coisa. A glória está tão presente que ele a chama de momentânea — "Porque a nossa leve e momentânea tribulação". Pois se você fala com alguém cuja mente entende a eternidade sobre este presente mundo mau, a eternidade é grande demais para deixar espaço para qualquer outra coisa. Nunca percebemos a eternidade até a enchermos do amor do Pai e da glória de Cristo. […] "as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada"; […] os sofrimentos presentes haviam perdido o poder de impedir, porque ele via o poder de Deus neles e suportava as aflições segundo o poder de Deus. Ele não diz que é recebida, mas "revelada em nós".

William Kelly

A força que vem de "ver" a glória

A própria contemplação da glória futura era o que mantinha o apóstolo firme; o sofrimento não escurecia a glória — ao contrário, a tornava mais brilhante.

Veja como era forte a percepção pessoal de Paulo; ele diz: "Eu reputo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada." Como ele deve ter tido a glória presente à alma, para preferi‑la às "coisas presentes"! Ora, ele havia sofrido muito; mas isso só fazia a glória brilhar com mais intensidade diante dele, e mostra como a glória da cruz enchia a sua alma.

William Kelly

Encorajamento para os que sofrem agora

O versículo não é especulação, mas remédio pastoral para os perseguidos. Paulo o utiliza, junto com outros escritores do Novo Testamento, como base de consolação.

Outro uso ao qual este segundo ato da vinda do Senhor é aplicado é encorajar o crente no meio do sofrimento e da perseguição, pelo contraste da glória em que ele então será manifestado. Assim, ao escrever aos Romanos, Paulo lhes diz que "as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada" (Rom. 8:18), e em outra epístola ele diz: "se sofrermos, também com Ele reinaremos" (2 Tim. 2:12).

T. B. Baines

Compensação plena e fim dos gemidos

A glória não apenas equilibra, mas excede em muito tudo o que o crente atravessa no caminho para o céu — e termina inclusive os gemidos da criação.

Mas o Apóstolo podia dizer: "Eu reputo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada." Isso há de compensar muito mais do que todas as tristezas pelas quais temos de passar a caminho do céu. Os sofrimentos da criação devem continuar até que os filhos de Deus sejam manifestados, e então cessarão para sempre. […] Nosso gemer cessará quando os nossos corpos forem mudados à semelhança do de Cristo; os gemidos da criação cessarão quando viermos com Cristo do céu.

James Boyd

Resumo

- Cálculo, não emoção. Paulo "reputa" — pesa com cuidado dois lados, e a glória futura supera infinitamente o sofrimento atual.

- Em nós, não a nós. A glória é "revelada em nós": os santos são o vaso onde Deus exibe Sua glória diante do universo.

- Eternidade dominante. Quando a alma realmente enxerga a eternidade cheia do amor do Pai e da glória de Cristo, o sofrimento presente perde o poder de impedir.

- Remédio pastoral. O versículo serve para encorajar o crente perseguido — "se sofrermos, também com Ele reinaremos."

- Fim de todo gemido. A glória futura encerrará tanto os nossos gemidos (na redenção do corpo) quanto os da criação (quando viermos com Cristo).