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Jeremias 29:11

A fool uttereth all his mind; but a wise [man] keepeth it back.

Comentário deste versículo

O Cenário do Versículo

Jeremias 29:11 é parte de uma carta que o profeta enviou aos judeus já levados cativos a Babilônia no tempo de Jeconias. Em meio à dor do exílio, com falsos profetas prometendo livramento rápido, Deus revela que Seus pensamentos para o Seu povo são "de paz, e não de mal", reservando-lhes "um fim esperado" depois de setenta anos de disciplina.

Submissão ao Castigo: a Postura da Fé

Os cativos precisavam de uma palavra clara, pois o orgulho judaico se rebelava contra a ideia de servir a um rei gentio. Deus deixa claro que o cativeiro não foi um acidente nem mera vitória de Nabucodonosor — Ele mesmo os levara. A fé reconhece isso e se inclina.

Eles estavam numa nova relação política. Precisavam de direção especial de Deus, pois sem dúvida o espírito judaico teria fortemente ressentido a ideia de um gentio governando sobre eles. Estariam sempre conspirando em Babilônia para acabar com aquele cativeiro miserável, se Deus não tivesse expressado Sua mente. Mas a parte da fé, quando Deus envia um castigo, é curvar-se a ele, não lutar contra ele. Se o Senhor faz alguma coisa por causa de um erro de nossa parte, a fé nele não consiste em fazer pouco da coisa nem em fazer pouco do castigo, mas em aceitar com mansidão o castigo e em confessar o erro.

William Kelly

A piedade, então, não fecha os olhos para o que dói nem ignora a verdade dos fatos: ela sente a aflição, mas pede graça para receber a dureza da mão de Deus com paciência.

Edificar, Plantar e Buscar a Paz da Cidade

A ordem prática para os exilados é surpreendente: construir casas, plantar jardins, casar-se, multiplicar-se e até orar pela paz de Babilônia. O bem-estar do povo passa pelo bem-estar do lugar onde Deus os colocou.

Não devia haver nada mórbido nos hábitos deles. Deviam receber de Deus todas as circunstâncias. Confiariam felizmente no Senhor, mas o fariam como cativos de Nabucodonosor. Mais ainda, deviam buscar o bem e a paz de Babilônia. (...) Na paz dela estaria a paz deles. Com certeza os caminhos do Senhor são sábios e bons, saudáveis e edificantes.

William Kelly

Cuidado com os Falsos Profetas

Antes de revelar Seus "pensamentos de paz", o Senhor adverte contra adivinhos e sonhos que prometiam um retorno rápido. Hananias falava em dois anos; Deus fala em setenta. A consolação verdadeira só aparece quando a ilusão de um atalho é arrancada do coração.

"Pois assim diz o Senhor: Quando se cumprirem para Babilônia setenta anos, Eu vos visitarei e cumprirei sobre vós a minha boa palavra, tornando a trazer-vos a este lugar. Porque Eu bem sei os pensamentos que penso de vós, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que esperais. Então me invocareis, e ireis, e orareis a mim, e Eu vos ouvirei. E buscar-me-eis, e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração."

William Kelly

A Medida dos Setenta Anos

O número exato dos anos não é arbitrário. Ele revela ao mesmo tempo a severidade do governo de Deus e a ternura do Seu coração.

A permanência de setenta anos em Babilônia foi medida por Jeová. Foi longa o bastante para realizar o Seu castigo; foi curta o bastante para provar a Sua terna misericórdia, e deixar lugar para uma manifestação maior dele mesmo, seguida — ai! — por um castigo mais sombrio e duradouro pela rejeição mais culpável do próprio Messias deles.

William Kelly

"Pensamentos de Paz" — Oração e Coração Inteiro

A promessa não é mecânica. O "fim esperado" se liga a uma resposta do coração: invocar, orar, buscar de todo o coração. Deus se deixa achar pelos que O procuram inteiramente. A graça dEle, mesmo quando o povo está caído, ainda quer juntar Seu nome ao deles.

Quão cheio de graça era assim notá-los depois de toda a culpa deles e ligar o Seu nome ao deles em sua condição caída! Era pior do que vão esperar um retorno imediato à Palestina: nenhuma conspiração, nenhuma resolução serviria.

William Kelly

Cumprimento Parcial e Esperança Maior

Houve um cumprimento real quando Ciro permitiu o retorno, mas os termos da profecia vão além daquele momento, apontando para a bênção plena ainda futura sob o Filho de Davi.

Esse retorno predito do cativeiro foi, sem dúvida, realizado em certa medida quando o retorno aconteceu sob Ciro, rei da Pérsia, embora os termos da profecia vão além disso; mesmo assim, houve um cumprimento naquele tempo.

William Kelly

Resumo

- Castigo aceito: A fé não conspira contra a disciplina — curva-se a ela e confessa o erro que a trouxe.

- Vida normal no exílio: Deus manda construir, plantar, casar e orar pela paz da própria cidade do cativeiro.

- Falsos atalhos: A consolação verdadeira só vem quando se rejeitam profetas que prometem livramento rápido.

- Setenta anos medidos: Tempo longo o bastante para corrigir, curto o bastante para mostrar terna misericórdia.

- Buscar de todo o coração: O "fim esperado" se realiza onde há invocação, oração e busca sincera de Deus.